Foto: Band Bahia
ColunistasEsse é o Ponto, com Victor Pinto

Qual promessa o Senhor do Bonfim atenderá?

A Lavagem do Bonfim em 2024, sem sombra de dúvidas, foi uma das mais cheias que eu pude vivenciar e uma das mais quentes também. Vale o registro de não ter sido vão o trabalho da prefeitura de tentar refrescar a população e também protegê-la distribuindo protetor solar. Mas é aquela máxima: quem tem fé vai a pé.

Contudo, quando a política entra entre o Sagrado e o Profano, quem quer ser prefeito de Salvador também vai a pé e quem tem seu cargo comissionado ou quer algum, segue também o passo a passo do cortejo da Conceição da Praia até a Sagrada Colina. Até porque quem não é visto, não é lembrado.

O sol escaldante esquentou o corpo a corpo e quando tinha povo no meio, teve de um tudo, de aplausos, vaias e selfies, muitas selfies. As claques foram bastante movimentadas.

Em resumo, tanto Geraldo Júnior (MDB), pré-candidato do governo de Estado na disputa pela Prefeitura de Salvador, quanto o prefeito Bruno Reis (UB), pré-candidato à reeleição, passaram no teste junto à população, junto ao assédio. O tempo inteiro ao longo do percurso os dois foram assediados para tirarem fotos. Está nítida a tradução das últimas pesquisas indicadoras dos dois melhores posicionados na queda de braço futura. Porém, Bruno, liderança com maior holofote que o vice na capital, sai na frente nesse quesito em meio também a Kleber Rosa (PSOL) e Luciana Buck (Novo).

Diferente da Lavagem da eleição de 2020, quando a claque do governo do Estado saiu esfacelada com vários pré-candidatos a prefeito da capital e até sem a presença do governador para puxar o time, nesta de 2024, nitidamente, a história foi outra e a estratégia do nome único para o Palácio Thomé de Souza já mostrou ser acertada. A indefinição da vice ainda paira nos contextos. Chega ao ponto dos mais maldosos apontarem que ninguém da esquerda quer a vice ou estaria brigando por ela. Quem for, vai seguir uma missão, diga-se de passagem.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) não fez feio também no seu segundo Bonfim, me surpreendeu, inclusive, a quantidade de pessoas pedintes de foto com ele.

Já sobre a vice de Bruno, apesar da dança da vaga atiçada pelo Republicanos, creio, será muito difícil, utilizando as próprias palavras dela, “derrubar da cadeira” quem já está. Ana Paula Matos (PDT) soube conduzir bem sua imagem e seu corpo a corpo no trajeto.

ACM Neto (UB) também seguiu a caminhada, muitas vezes ao lado de Bruno, muitas vezes desgarrado. Também assediado. Só a sola do tênis não ficou grudada no pé quando chegou para tomar o banho de cheiro na Igreja do Bonfim.

Analisando bem e de maneira minuciosa, não teve nada de novo, vamos colocar assim. Por se tratar de um ano eleitoral, tivemos muita troca de farpas nas entrevistas. Jerônimo acusando o prefeito de demorar em entregas de obras, de requalificação, o prefeito criticando o setor de educação do governo do Estado, mas como eu disse, nada de novo sob o Sol. Nada fugiu do script do esperado pelo jogo político.

Não poderia esquecer: a FÉ do governo do Estado foi maior que a FÉ da prefeitura. Explico: a palavra “fé” da camisa do CAB estava bem maior do que a da galera do Comércio e logo foi motivo de gozação e provocação por terem estampas parecidas.

Mas o ocorrido, na semana passada, foi o réveillon da política soteropolitana e agora as portas foram abertas para as grandes festas de largo. Quem terá mais êxito ou quem o Senhor do Bonfim abençoará para o Palácio Thomé de Souza? Isso só veremos em 6 de outubro de 2024. Por enquanto, só promessa e pedido. Enquanto isso a gente fica “a conferir”.

por Victor Pinto
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