Foto: Band Bahia
ColunistasEsse é o Ponto, com Victor Pinto

A folia não será só de Momo

Cada Carnaval com suas agonias. Da proibição das pistolas d’água nos circuitos; da passarela dos ambulantes na Barra; da falta de canções chicletes para concorrer a música da folia, pois até então só Macetando de Ivete Sangalo conseguiu essa proeza; do calor infernal e das futuras ações para refrescar a população; das ausências de atrações corrigidas previamente a exemplo de Armandinho e os Irmãos Macedo… São temas e mais temas dentro de um evento macro chamado Carnaval de Salvador. E o pano de fundo eleitoral? Ah, meus queridos, isso não falta e me debruço para tratar aqui sobre neste singelo artigo.

Apesar do clima pré-carnaval com eventos emendados nas festividades da Lavagem de Itapuã e Yemanjá do Rio Vermelho, a festa de largo mais famosa do Brasil só começa quinta-feira. Para além das chaves da cidade do Salvador ao Rei Momo, veremos uma disputa para quem fará esse movimento em 27 de fevereiro de 2025, pois se tratará da continuidade de Bruno Reis (UB) à frente do Palácio Thomé de Souza ou um novo nome com sua missão de governar a cidade.

Os agentes políticos vão aproveitar a festa e seus holofotes para a visibilidade junto à opinião pública. Por mais que o pedido do voto seja vetado por força da lei eleitoral, nada impede um corpo a corpo coberto de pré-campanha. O vice-governador Geraldo Júnior (MDB), por exemplo, não tem perdido nem aniversário de boneca se o assunto for correlato ao carnaval.

Também pudera, se vale da carteirada dada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) de colocá-lo como coordenador das ações do governo do Estado na folia de Momo.

Geraldo vai pular o Carnaval ao mesmo tempo da busca por um ou uma vice para compor sua futura chapa. Diante de um disse-me-disse da falta de quem queira assumir de bom grado o posto ou aquele escolhido fará disso uma missão partidária, ele não deve titubear nas declarações e nos acenos.

Diferente do outro lado do campo. O cenário da situação é de uma ainda briga fajuta do Republicanos pela vice de Bruno. Nada mais do que uma tática para colocar faca no pescoço do prefeito por espaço. Será muito difícil demover Ana Paula Matos (PDT) da função, diga-se de passagem. Apostei até entre os discípulos de Nelito essa movimentação. Como eu costumo dizer: a conferir.

Ainda sobre Bruno, ele conseguiu resolver, na boca do carnaval, dois partidos menores cortejados pelo núcleo político do governo do Estado: o DC e o PRD. Esses dois serão trabalhados na construção das futuras nominatas da disputa do legislativo, outro campo minado diante das novas regras com o limite de nomes por partidos no escrutínio popular.

Apesar de cenários tímidos, Kleber Rosa (PSOL) e Luciana Buck (Novo) também não poderão faltar nos circuitos. Ambos não vão possuir estruturas institucionais como os dois primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto, mas devem fazer valer, quem sabe, o contato com a população.

As expectativas são muitas, os cenários estão desenhados, mas as análises daquilo que, hoje, ainda será só depois da quarta-feira de cinzas. Fico com vocês até lá. Bom carnaval a todos. Vá na paz! E sem esquecer: faltam 244 dias para as eleições 2024.

por Victor Pinto
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